Rui Alves
14-10-09, 07:14
in http://www.hipersuper.pt/2009/10/02/a-carga-pronta-e-metida-nos-contentores/
http://www.hipersuper.pt/wp-content/uploads/2009/10/tnt.jpg
A carga pronta e metida nos contentores
Rita Gonçalves
2 de Outubro de 2009
A crise também afectou o transporte internacional aéreo de mercadorias e fez crescer os envios por via terrestr.
Aeroporto da Portela, 8h32 da manhã. O pesado Boing 737 acaba de aterrar com cerca de 40 minutos de atraso. Um dos piores contratempos dos voos - as más condições climatéricas - foi o responsável pela demora. Neste caso, foi a trovoada que impediu o avião da TNT (Thomas Nationwide Transport) de levantar a horas de cumprir o horário. Partiu de Liége, a terceira maior cidade da Bélgica, mas antes de chegar a Lisboa fez ainda uma escala em Rennes, Suiça. No terminal da Portela, está tudo a postos para mais uma operação rotineira de descarga de mercadorias.
O avião do operador logístico de origem australiana tem em média capacidade para 13 toneladas, embora a carga dependa da distância a percorrer em função do combustível. Mas, nesse dia, transporta apenas 6.500 quilos de mercadoria. Há duas explicações para os espaços vazios no avião, sublinha Rui Nobre, director de operações em Portugal da especialista em serviços expresso. A primeira é a crise. “O envio de transporte por avião é caro. E sofremos o impacto da crise no transporte internacional aéreo. Apesar disso, esta descida é compensada pelo aumento dos envios por via terrestre”.
A TNT tem dois aviões diários a aterrar em Portugal, um no Aeroporto Internacional de Lisboa e outro no Sá Carneiro, no Porto. E, “como a capital é muito dependente das indústrias ligadas ao sector automóvel, as mais afectadas pela conjuntura económica, e de empresas de grande dimensão, sofreu mais a queda no envio de mercadorias em comparação com o Porto”. Ainda assim, os sectores automóvel e moda representam o grosso da mercadoria.
Por outro lado, “o avião fez uma paragem em Rennes para descarregar mercadoria e traz alguns contentores vazios”, explica.
O exterior do avião não dá qualquer pista sobre a sua função - o transporte de mercadorias, mas o interior é esclarecedor. Não há bancos, pessoal de cabina e todas as janelas estão propositadamente fechadas para proteger a mercadoria. Da tripulação fazem parte apenas o comandante, quem define a ordem de entrada da mercadoria a partir de uma lista com o peso de cada contentor, e um primeiro oficial. Ambos trabalham na TNT. Mostram-se cansados e aborrecidos, porque o atraso lhes reduziu o tempo de descanso. Partem no mesmo dia às 19h40 para Liége.
Uma hora para descarregar
A Portway é a empresa responsável pela descarga da mercadoria do avião para os camiões da TNT. O contrato é válido por uma hora. A primeira fase do processo dá pelo nome “handling” de rampa e consiste em retirar a mercadoria avulso, que se encontra estrategicamente colocada no porão do avião, a partir de uma rampa, tal como o nome indica. É esta a primeira carga a chegar ao armazém da TNT no aeroporto da Portela, porque é nesta leva que se encontra o serviço Premium, ou seja, que é entregue no destinatário às 10 horas da manhã, duas horas após a chegada do avião.
Logo de seguida, retiram-se os contentores que são colocados em gaiolas de ferro gigantes e transportados para a zona da alfandega. Aqui, a leitura da carga é feita electronicamente, a partir de scanners, embora ainda haja casos que obrigam ao controlo visual de etiquetas. António Dias, cujo cargo ostenta a designação “country customs & risk and security manager”, explica: “toda a mercadoria está etiquetada. Se esta é proveniente da União Europeia não há necessidade de ler etiquetas mas se vier de fora da comunidade é preciso certificar que está desembargada em termos alfandegários”. De seguida, a mercadoria entra nos camiões da TNT e em menos de cinco minutos chega ao armazém, excepto a que fica pendente no processo aduaneiro.
Nas instalações da TNT do aeroporto de Lisboa trabalham 124 pessoas. As gaiolas são imediatamente encaminhadas para junto do tapete. Há 30 estafetas junto da linha de expedição. Quando a mercadoria entra na linha, é feito um novo scanning para reconfirmar a situação alfandegária.
De seguida, um equipamento pesa e mede o volume de cada caixa, pois é em função destas medidas que é feita a cobrança e é possível certificar o que sai e entra no armazém, refere António Dias. Toda a carga segue na linha, com excepção da mercadoria de risco que é entregue manualmente, e, no final, é distribuída por diferentes áreas consoante as zonas do País a que se destina.
http://www.hipersuper.pt/wp-content/uploads/2009/10/tnt.jpg
A carga pronta e metida nos contentores
Rita Gonçalves
2 de Outubro de 2009
A crise também afectou o transporte internacional aéreo de mercadorias e fez crescer os envios por via terrestr.
Aeroporto da Portela, 8h32 da manhã. O pesado Boing 737 acaba de aterrar com cerca de 40 minutos de atraso. Um dos piores contratempos dos voos - as más condições climatéricas - foi o responsável pela demora. Neste caso, foi a trovoada que impediu o avião da TNT (Thomas Nationwide Transport) de levantar a horas de cumprir o horário. Partiu de Liége, a terceira maior cidade da Bélgica, mas antes de chegar a Lisboa fez ainda uma escala em Rennes, Suiça. No terminal da Portela, está tudo a postos para mais uma operação rotineira de descarga de mercadorias.
O avião do operador logístico de origem australiana tem em média capacidade para 13 toneladas, embora a carga dependa da distância a percorrer em função do combustível. Mas, nesse dia, transporta apenas 6.500 quilos de mercadoria. Há duas explicações para os espaços vazios no avião, sublinha Rui Nobre, director de operações em Portugal da especialista em serviços expresso. A primeira é a crise. “O envio de transporte por avião é caro. E sofremos o impacto da crise no transporte internacional aéreo. Apesar disso, esta descida é compensada pelo aumento dos envios por via terrestre”.
A TNT tem dois aviões diários a aterrar em Portugal, um no Aeroporto Internacional de Lisboa e outro no Sá Carneiro, no Porto. E, “como a capital é muito dependente das indústrias ligadas ao sector automóvel, as mais afectadas pela conjuntura económica, e de empresas de grande dimensão, sofreu mais a queda no envio de mercadorias em comparação com o Porto”. Ainda assim, os sectores automóvel e moda representam o grosso da mercadoria.
Por outro lado, “o avião fez uma paragem em Rennes para descarregar mercadoria e traz alguns contentores vazios”, explica.
O exterior do avião não dá qualquer pista sobre a sua função - o transporte de mercadorias, mas o interior é esclarecedor. Não há bancos, pessoal de cabina e todas as janelas estão propositadamente fechadas para proteger a mercadoria. Da tripulação fazem parte apenas o comandante, quem define a ordem de entrada da mercadoria a partir de uma lista com o peso de cada contentor, e um primeiro oficial. Ambos trabalham na TNT. Mostram-se cansados e aborrecidos, porque o atraso lhes reduziu o tempo de descanso. Partem no mesmo dia às 19h40 para Liége.
Uma hora para descarregar
A Portway é a empresa responsável pela descarga da mercadoria do avião para os camiões da TNT. O contrato é válido por uma hora. A primeira fase do processo dá pelo nome “handling” de rampa e consiste em retirar a mercadoria avulso, que se encontra estrategicamente colocada no porão do avião, a partir de uma rampa, tal como o nome indica. É esta a primeira carga a chegar ao armazém da TNT no aeroporto da Portela, porque é nesta leva que se encontra o serviço Premium, ou seja, que é entregue no destinatário às 10 horas da manhã, duas horas após a chegada do avião.
Logo de seguida, retiram-se os contentores que são colocados em gaiolas de ferro gigantes e transportados para a zona da alfandega. Aqui, a leitura da carga é feita electronicamente, a partir de scanners, embora ainda haja casos que obrigam ao controlo visual de etiquetas. António Dias, cujo cargo ostenta a designação “country customs & risk and security manager”, explica: “toda a mercadoria está etiquetada. Se esta é proveniente da União Europeia não há necessidade de ler etiquetas mas se vier de fora da comunidade é preciso certificar que está desembargada em termos alfandegários”. De seguida, a mercadoria entra nos camiões da TNT e em menos de cinco minutos chega ao armazém, excepto a que fica pendente no processo aduaneiro.
Nas instalações da TNT do aeroporto de Lisboa trabalham 124 pessoas. As gaiolas são imediatamente encaminhadas para junto do tapete. Há 30 estafetas junto da linha de expedição. Quando a mercadoria entra na linha, é feito um novo scanning para reconfirmar a situação alfandegária.
De seguida, um equipamento pesa e mede o volume de cada caixa, pois é em função destas medidas que é feita a cobrança e é possível certificar o que sai e entra no armazém, refere António Dias. Toda a carga segue na linha, com excepção da mercadoria de risco que é entregue manualmente, e, no final, é distribuída por diferentes áreas consoante as zonas do País a que se destina.